
O início do cumprimento das penas de Jair Bolsonaro (PL) e seis cúmplices do núcleo crucial da tentativa de golpe encerra um longo ciclo marcado pela convicção das Forças Armadas de que estavam acima do poder civil. A avaliação é do ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes.
Na terça-feira 25, o Supremo Tribunal Federal mandou executar as sentenças contra Bolsonaro, os generais Walter Braga Netto (PL), Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Almir Garnier e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) — em fuga nos Estados Unidos.
A CartaCapital, Aloysio, também ex-ministro da Justiça, afirmou que as Forças Armadas historicamente reivindicaram o direito de intervir na vida pública para arbitrar conflitos, como se fossem uma instituição acima das contingências políticas. Foi com essa crença, prosseguiu, que os militares golpearam a democracia em 1964 sob a fantasia de “revolução redentora”.
“Essa tendência se agravou no período da Guerra Fria, em que a essa ideologia se somou o anticomunismo. É um processo que vem do fim do século XIX e que se encerra agora, com a afirmação do poder civil da lei.”
Para o ex-chanceler, a tentativa de golpe liderada por Bolsonaro repete essa trajetória, mas como uma farsa. “Eles não tinham nenhuma ideia salvacionista, apenas a defesa de privilégios, de nomeações — da boquinha, em suma.”
Ainda que a prisão definitiva dos golpistas feche uma era, porém, é necessário manter a vigilância a fim de evitar novas conspirações, reforçou Nunes. Segundo ele, diversas intervenções militares receberam o endosso — ou o incentivo original — de civis, a exemplo de políticos reacionários que batiam à porta de quartéis. “E esses políticos ainda estão por aí”, advertiu.
Questionado sobre a possibilidade de a prisão de Bolsonaro — inelegível e cada vez mais distante da tomada de decisões — precipitar alguma recuperação da chamada “direita democrática”, Aloysio Nunes afirmou não identificar nos supostos “herdeiros” políticos do ex-capitão qualquer distinção fundamental de seu líder.
“Vejo Ratinho, Tarcísio e Caiado vestindo camiseta da Seleção Brasileira, no palanque, atacando o Supremo, insistindo em dizer que Bolsonaro é vítima de uma injustiça. E não dão um pio para recriminar esse deputado traidor da Pátria — Eduardo Bolsonaro — por suas ações contra o Brasil”, critica. “Não sei como interpretar isso, porque não faço um raio X da alma dessa gente — e nem quero. Será mero oportunismo ou convicção? Eu acho que são as duas coisas.”
O início do cumprimento das penas de Jair Bolsonaro (PL) e seis cúmplices do núcleo crucial da tentativa de golpe encerra um longo ciclo marcado pela convicção das Forças Armadas de que estavam acima do poder civil. A avaliação é do ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes.
Na terça-feira 25, o Supremo Tribunal Federal mandou executar as sentenças contra Bolsonaro, os generais Walter Braga Netto (PL), Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Almir Garnier e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) — em fuga nos Estados Unidos.
A CartaCapital, Aloysio, também ex-ministro da Justiça, afirmou que as Forças Armadas historicamente reivindicaram o direito de intervir na vida pública para arbitrar conflitos, como se fossem uma instituição acima das contingências políticas. Foi com essa crença, prosseguiu, que os militares golpearam a democracia em 1964 sob a fantasia de “revolução redentora”.
“Essa tendência se agravou no período da Guerra Fria, em que a essa ideologia se somou o anticomunismo. É um processo que vem do fim do século XIX e que se encerra agora, com a afirmação do poder civil da lei.”
Para o ex-chanceler, a tentativa de golpe liderada por Bolsonaro repete essa trajetória, mas como uma farsa. “Eles não tinham nenhuma ideia salvacionista, apenas a defesa de privilégios, de nomeações — da boquinha, em suma.”
Ainda que a prisão definitiva dos golpistas feche uma era, porém, é necessário manter a vigilância a fim de evitar novas conspirações, reforçou Nunes. Segundo ele, diversas intervenções militares receberam o endosso — ou o incentivo original — de civis, a exemplo de políticos reacionários que batiam à porta de quartéis. “E esses políticos ainda estão por aí”, advertiu.
Questionado sobre a possibilidade de a prisão de Bolsonaro — inelegível e cada vez mais distante da tomada de decisões — precipitar alguma recuperação da chamada “direita democrática”, Aloysio Nunes afirmou não identificar nos supostos “herdeiros” políticos do ex-capitão qualquer distinção fundamental de seu líder.
“Vejo Ratinho, Tarcísio e Caiado vestindo camiseta da Seleção Brasileira, no palanque, atacando o Supremo, insistindo em dizer que Bolsonaro é vítima de uma injustiça. E não dão um pio para recriminar esse deputado traidor da Pátria — Eduardo Bolsonaro — por suas ações contra o Brasil”, critica. “Não sei como interpretar isso, porque não faço um raio X da alma dessa gente — e nem quero. Será mero oportunismo ou convicção? Eu acho que são as duas coisas.”
FONTE: Carta Capital