Se olharmos com atenção a linha do tempo do Brasil desde 2016, quando o golpe contra Dilma Rousseff inaugurou o longo período de turbulência política em que vivemos desde então, um ponto de resistência aparece com uma constância revigorante. Ao longo destes 10 anos, o campo cultural soube impor derrotas importantes ao campo conservador e à extrema direita.
Entender isso, em meio à guerra cultural que travamos contra o reacionarismo autoritário, é crucial para uma virada no segundo turno das eleições presidenciais do próximo dia 25 de outubro. Lembremos, por exemplo, do Ocupa MinC, que por meses ocupou o Palácio Gustavo Capanema e outros equipamentos culturais de todo o país em 2017 e fez o governo Temer recuar de sua tentativa de extinção do Ministério da Cultura.
Lembremos também que, três anos depois, entre a pandemia de Covid e o pandemônio bolsonarista, aprovamos no Congresso Nacional (com votos até mesmo da extrema direita), a Lei Aldir Blanc, projeto emergencial que foi salvaguarda e esteio para milhares de trabalhadores da Cultura, desamparados pelo isolamento social e pela crise econômica provocada pela incompetência brutal daquele desgoverno.
Lembremos ainda a Lei Paulo Gustavo (emergencial) e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (permanente, de minha autoria), aprovadas em 2022, e da articulação feita para derrubar os vetos de Bolsonaro a estes projetos. Vencemos, e hoje a PNAB garante 3 bilhões de reais por ano para estados e municípios investirem em Cultura.
Em todas estas jornadas, vencemos o ódio da extrema direita à Cultura e impusemos a um Congresso conservador derrotas em seu próprio campo. Esse histórico aponta a relevância do setor cultural como força social e política no Brasil. Em um cenário tão adverso como o que enfrentamos hoje, a Cultura tem um papel essencial a cumprir.
Dos artistas do mainstream aos mestres e mestras das nossas múltiplas tradições, das grandes empresas culturais aos pontos de cultura que se espalham aos milhares pelo país, o setor cultural brasileiro é incrivelmente capilarizado.
A cultura tem cauda longa e amplo lastro social, presença nas redes, territórios e famílias. Tem capacidade de chegar e dialogar onde instituições, partidos, e mesmo o governo não alcança. Isso tem em si um poder que não podemos nos dar ao luxo de não usar.
O medo pode paralisar, mas também nos colocar em movimento. Precisamos construir um chamado à ação dos diversos setores culturais. E isso não tem a ver somente com a defesa do legado do governo Lula, nem mostrar tudo o que foi feito nos últimos anos para a reconstrução do setor após a destruição bolsonarista. Fundamentalmente, é preciso chamar a atenção para o risco que uma hegemonia da extrema direita pode significar para o futuro do país.
A Cultura é um foco primordial para o fascismo bolsonarista porque é capaz de despertar consciências, formar senso crítico e desejar um futuro para o país que não seja o poço sem fundo de mentiras da extrema direita. Mas não será o único.
Nosso sistema de saúde pública está sob ameaça. A Petrobras está sob ameaça. Os empregos e os aluguéis de milhões de pessoas estão sob ameaça. A Amazônia e todos os outros biomas brasileiros estão sob ameaça. Nossas vidas e nossa liberdade estão, mais do que nunca, sob ameaça.
Contra a necropolítica bolsonarista que se apresenta, não há outra alternativa. Precisamos convocar o setor cultural a usar sua incrível capacidade de comunicação e falar com todas as pessoas. É hora de sair da bolha e buscar outras zonas de proximidade para alertar sobre o novo risco Bolsonaro.
A arquitetura de destruição dessa força política que triunfa na pulsão de morte está em movimento, mas o poder da Cultura pode ajudar a detê-los. Maioria política eles têm, mas hegemonia não. E vamos à luta, como já nos ensinava o bravo Gonzaguinha.
Se olharmos com atenção a linha do tempo do Brasil desde 2016, quando o golpe contra Dilma Rousseff inaugurou o longo período de turbulência política em que vivemos desde então, um ponto de resistência aparece com uma constância revigorante. Ao longo destes 10 anos, o campo cultural soube impor derrotas importantes ao campo conservador e à extrema direita.
Entender isso, em meio à guerra cultural que travamos contra o reacionarismo autoritário, é crucial para uma virada no segundo turno das eleições presidenciais do próximo dia 25 de outubro. Lembremos, por exemplo, do Ocupa MinC, que por meses ocupou o Palácio Gustavo Capanema e outros equipamentos culturais de todo o país em 2017 e fez o governo Temer recuar de sua tentativa de extinção do Ministério da Cultura.
Lembremos também que, três anos depois, entre a pandemia de Covid e o pandemônio bolsonarista, aprovamos no Congresso Nacional (com votos até mesmo da extrema direita), a Lei Aldir Blanc, projeto emergencial que foi salvaguarda e esteio para milhares de trabalhadores da Cultura, desamparados pelo isolamento social e pela crise econômica provocada pela incompetência brutal daquele desgoverno.
Lembremos ainda a Lei Paulo Gustavo (emergencial) e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (permanente, de minha autoria), aprovadas em 2022, e da articulação feita para derrubar os vetos de Bolsonaro a estes projetos. Vencemos, e hoje a PNAB garante 3 bilhões de reais por ano para estados e municípios investirem em Cultura.
Em todas estas jornadas, vencemos o ódio da extrema direita à Cultura e impusemos a um Congresso conservador derrotas em seu próprio campo. Esse histórico aponta a relevância do setor cultural como força social e política no Brasil. Em um cenário tão adverso como o que enfrentamos hoje, a Cultura tem um papel essencial a cumprir.
Dos artistas do mainstream aos mestres e mestras das nossas múltiplas tradições, das grandes empresas culturais aos pontos de cultura que se espalham aos milhares pelo país, o setor cultural brasileiro é incrivelmente capilarizado.
A cultura tem cauda longa e amplo lastro social, presença nas redes, territórios e famílias. Tem capacidade de chegar e dialogar onde instituições, partidos, e mesmo o governo não alcança. Isso tem em si um poder que não podemos nos dar ao luxo de não usar.
O medo pode paralisar, mas também nos colocar em movimento. Precisamos construir um chamado à ação dos diversos setores culturais. E isso não tem a ver somente com a defesa do legado do governo Lula, nem mostrar tudo o que foi feito nos últimos anos para a reconstrução do setor após a destruição bolsonarista. Fundamentalmente, é preciso chamar a atenção para o risco que uma hegemonia da extrema direita pode significar para o futuro do país.
A Cultura é um foco primordial para o fascismo bolsonarista porque é capaz de despertar consciências, formar senso crítico e desejar um futuro para o país que não seja o poço sem fundo de mentiras da extrema direita. Mas não será o único.
Nosso sistema de saúde pública está sob ameaça. A Petrobras está sob ameaça. Os empregos e os aluguéis de milhões de pessoas estão sob ameaça. A Amazônia e todos os outros biomas brasileiros estão sob ameaça. Nossas vidas e nossa liberdade estão, mais do que nunca, sob ameaça.
Contra a necropolítica bolsonarista que se apresenta, não há outra alternativa. Precisamos convocar o setor cultural a usar sua incrível capacidade de comunicação e falar com todas as pessoas. É hora de sair da bolha e buscar outras zonas de proximidade para alertar sobre o novo risco Bolsonaro.
A arquitetura de destruição dessa força política que triunfa na pulsão de morte está em movimento, mas o poder da Cultura pode ajudar a detê-los. Maioria política eles têm, mas hegemonia não. E vamos à luta, como já nos ensinava o bravo Gonzaguinha.
FONTE: Carta Capital
