Idealizador da Lei da Ficha Limpa, o ex-juiz Márlon Reis vê em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) neste domingo 25 um risco de concentração de poder que, segundo ele, traria sérias ameaças à democracia brasileira. Reis declarou voto no candidato do PT.
Esse temor, disse o jurista a CartaCapital, não envolve apenas a possibilidade de um governo autoritário, mas o uso das instituições para enfraquecer a democracia. “Não podemos ignorar o risco de que ela seja destruída justamente pelo uso dos instrumentos conquistados a duras penas por aqueles que enfrentaram a ditadura, inclusive o direito ao voto.”
A preocupação de Reis tem como pano de fundo o avanço do bolsonarismo no Congresso Nacional, que, na avaliação do ex-juiz, poderia dar sustentação a um governo de Flávio e facilitar a concentração de poder.
Além de contar com uma base parlamentar ampla, o senador poderia, ao longo do mandato, indicar ao menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal, ampliando a influência sobre a Corte.
No primeiro turno, o PL elegeu 121 deputados federais, maior vitória de uma única sigla na Câmara desde a Constituição de 1988. No Senado, obsessão do bolsonarismo em sua campanha pelo impeachment de ministros do STF, o partido elegeu 19 representantes. Projeções de analistas indicam, contudo, que a bancada da extrema-direita deve reunir 44 de 81 parlamentares.
“Estaríamos diante da possibilidade de uma concentração de poder pessoal de proporções inéditas na nossa história republicana”, avalia Reis, que declarou apoio a Lula nesta fase da disputa “por ser contrário a qualquer tipo de tirania“. Para o ex-juiz, o autoritarismo também está associado à corrupção, ao machismo, ao racismo, à misoginia e a outras formas de intolerância.
Em sua visão, Flávio “representa todo o desprezo pelas pessoas que mais precisam de um Estado atuante e comprometido com as causas sociais”. Também diz rechaçá-lo por considerá-lo “associado à defesa da ditadura”, o que reforça as preocupações em torno de uma eventual vitória do “zero um”.
Reis também pontua que o risco de concentração de poder exige atenção ao modo como o discurso anticorrupção é usado na disputa política. O ex-juiz contrapõe a situação de Lula, cujas condenações foram anuladas em meio ao processo de “claro lawfare com propósitos político-eleitorais”, às investigações envolvendo Flávio Bolsonaro. Para Reis, o combate à corrupção não pode servir para perseguir adversários enquanto outros políticos deixam de responder por suas próprias condutas.
“Não podemos permitir que a bandeira da ética seja utilizada como instrumento de perseguição política”, completou.
Idealizador da Lei da Ficha Limpa, o ex-juiz Márlon Reis vê em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) neste domingo 25 um risco de concentração de poder que, segundo ele, traria sérias ameaças à democracia brasileira. Reis declarou voto no candidato do PT.
Esse temor, disse o jurista a CartaCapital, não envolve apenas a possibilidade de um governo autoritário, mas o uso das instituições para enfraquecer a democracia. “Não podemos ignorar o risco de que ela seja destruída justamente pelo uso dos instrumentos conquistados a duras penas por aqueles que enfrentaram a ditadura, inclusive o direito ao voto.”
A preocupação de Reis tem como pano de fundo o avanço do bolsonarismo no Congresso Nacional, que, na avaliação do ex-juiz, poderia dar sustentação a um governo de Flávio e facilitar a concentração de poder.
Além de contar com uma base parlamentar ampla, o senador poderia, ao longo do mandato, indicar ao menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal, ampliando a influência sobre a Corte.
No primeiro turno, o PL elegeu 121 deputados federais, maior vitória de uma única sigla na Câmara desde a Constituição de 1988. No Senado, obsessão do bolsonarismo em sua campanha pelo impeachment de ministros do STF, o partido elegeu 19 representantes. Projeções de analistas indicam, contudo, que a bancada da extrema-direita deve reunir 44 de 81 parlamentares.
“Estaríamos diante da possibilidade de uma concentração de poder pessoal de proporções inéditas na nossa história republicana”, avalia Reis, que declarou apoio a Lula nesta fase da disputa “por ser contrário a qualquer tipo de tirania“. Para o ex-juiz, o autoritarismo também está associado à corrupção, ao machismo, ao racismo, à misoginia e a outras formas de intolerância.
Em sua visão, Flávio “representa todo o desprezo pelas pessoas que mais precisam de um Estado atuante e comprometido com as causas sociais”. Também diz rechaçá-lo por considerá-lo “associado à defesa da ditadura”, o que reforça as preocupações em torno de uma eventual vitória do “zero um”.
Reis também pontua que o risco de concentração de poder exige atenção ao modo como o discurso anticorrupção é usado na disputa política. O ex-juiz contrapõe a situação de Lula, cujas condenações foram anuladas em meio ao processo de “claro lawfare com propósitos político-eleitorais”, às investigações envolvendo Flávio Bolsonaro. Para Reis, o combate à corrupção não pode servir para perseguir adversários enquanto outros políticos deixam de responder por suas próprias condutas.
“Não podemos permitir que a bandeira da ética seja utilizada como instrumento de perseguição política”, completou.
FONTE: Carta Capital
